As festas comemorativas como Natal, Dia dos Pais, Dia das Mães e aniversários eram motivos para as reuniões e quando a baianada estava reunida, D.Lourdes era tomada por manifestações estranhas, como se espíritos tomassem seu corpo, que a castigavam, batendo com seu corpo contra as paredes e falava que queria ver sangue, porque ela não queria aceitar que tinha que procurar um terreiro para fazer o santo. Ela não acreditava em espiritismo porque era católica e não saía da igreja rezando e pedindo à N. Srª da Conceição, santa de sua devoção, para que aquela ”coisa” não se apoderasse mais de seu corpo. O tempo foi passando e a coisa só foi piorando. Um dia, ao apossar-se de seu corpo, “aquilo” falou que se ela não fosse procurar um terreiro de candomblé para fazer o santo, sua vida viraria um inferno: iria perder o marido, com quem havia finalmente se casado, um de seus filhos ficaria cego, uma de suas filhas seria atropelada e a outra sofreria sérias queimaduras, mesmo após esses avisos ela continuava indo e levando os filhos para a igreja católica. As meninas até fizeram primeira comunhão.
Um belo dia, saiu para trabalhar e, quando voltou, não encontrou o marido. Ele havia saído de casa e fora morar com sua tia Biloca, que tinha vindo recentemente da Bahia e estava morando em Agostinho Porto. Esta saída dele a deixou desorientada, porque o filho caçula levara uma pedrada no olho esquerdo que lhe vazou a menina dos olhos, deixando-o cego
daquela vista. Esta tinha sido uma das previsões que aquele espírito havia feito. Em seguida, as outras previsões foram se concretizando. Sua filha, abaixo do mais velho, sofreu um atropelamento na Rodovia Presidente Dutra, em 27 de setembro de 1956, dia de São Cosme e São Damião, fraturando o crânio em três lugares, além de ter fraturado as duas pernas com horríveis fraturas externas. Ela teve que ficar internada por seis meses no Hospital Getúlio Vargas, quando passou por cirurgias na cabeça e teve platina implantada em suas duas pernas para colar os dois ossos fêmur. Como tinha apenas doze anos, na época, a sua recuperação foi vitoriosa. Durante todo esse tempo, D. Lurdes ficou direto com sua filha no hospital. Havia contratado uma empregada chamada Ilda, antes de seu marido sair de casa e foi ela quem foi socorrer sua filha, quando esta sofreu o atropelamento, comunicando-lhe, depois.
Um dia, pela manhã, bem cedo, quando estava indo para o trabalho D. Lourdes nem se deu conta de que estava vestindo apenas uma combinação, peça usada sob o vestido, até pouco tempo atrás por todas as mulheres. Ao vê-la daquele jeito, uma amiga que era companheira de viajem e que freqüentava um terreiro de candomblé, resolveu levá-la para que sua mãe de santo cuidasse dela. D.Lourdes resistiu, não queria ir de jeito nenhum e foi preciso amarrar-lhe os punhos para conseguir levá-la. Ao chegar à Casa da Yalorixá Natalina, em Agostinho Porto, ela já estava esperando-a porque tinha visto no jogo de búzios, que iria chegar uma pessoa, naquelas condições, a quem ela teria que raspar e correr com todas as despesas, porque seria o primeiro Ogum de sua casa. D. Lourdes ficou seis meses na camarinha porque devido a não aceitar aquela religião, o seu Orixá não incorporava totalmente e foi preciso muita persuasão, para convencê-la de que havia recebido aquela herança de seus ancestrais e que, já estava passando da hora dela ser iniciada no Candomblé. Só quando soube que, se não se convencesse, as desgraças iriam continuar a acontecer com sua família, pois antes dela ser levada pela amiga, também já havia acontecido a queimadura em sua outra filha, de apenas sete anos quando, ao tentar fazer um chá para o irmão caçula, sem querer, virou a água fervente sobre si, queimando-lhe todo o lado direito, desde o peito até a cintura, com queimaduras de 2º e 3ºgraus, cujas marcas ainda carrega no corpo.
Yá Natalina mandou que levassem os filhos de D.Lourdes, para o barracão, a fim de amenizar o sofrimento dela, que nunca havia se separado deles e isso, também era um dos motivos, pelos quais se recusava a aceitar, todo aquele sacrifício da feitura de santo no Candomblé, naquela época de 1957.
As crianças curtiam as danças, os cânticos, as rezas e as comidas, só não gostavam de acordar às seis horas da manhã, para tomar aquele banho frio de abô. Passavam por todos os ensinamentos dos Yaôs. Aprenderam a dançar para todos os Orixás e a reconhecer quando cada um deles estava em terra, incorporado em alguém, aprenderam a ”língua de Congo”, era como chamavam os termos em Yorubá que aprenderam a falar. Adoravam conversar com os Erês e as meninas gostavam de usar as roupas de ração para ajudar a cuidar do barracão e também na cozinha. Finalmente, Ogum conseguiu incorporar totalmente no seu cavalo e a partir daí, D. Lourdes deixou o catolicismo de lado e defendia com unhas e dentes os seus Orixás e os seus Erês, sim ela incorporava o Joãozinho, que era de Ogum e a Sinhazinha, que era de Iansã. Ela ganhou esses dois porque havia uma disputa pela sua cabeça entre esses dois Orixás. Na época em que seu marido ainda vivia com ela, ele procurou muitas casas de santo para ver se conseguiam convencê-la de que tinha que ser raspada. Uma dessas casas foi a de Siriaco, antigo Babalaô, que tinha um terreiro em Vilar dos Teles. Outro foi Djalma de Lalu, cuja cabeça era de Exu Lalu, mas em nenhum desses lugares, Ogum quis ser feito. Neles, D. Lourdes sentia mal-estar e logo se retirava.
Depois que fez o santo, as coisas começaram a mudar, embora tudo que havia perdido não tenha sido recuperado, como seu marido, que nunca voltou para casa, e seu filho caçula que ficou cego vindo a falecer aos 30 anos, porque envolveu-se com o tráfico de drogas e foi brutalmente assassinado. Mas em compensação, enquanto as crianças eram pequenas, não mais sofreram acidentes.
Quando saiu da casa do santo foi morar em Vila Isabel, no Morro dos Macacos, no barraco de seu irmão Vadinho, que havia levado seus filhos para morar com ele, já no finalzinho de seu recolhimento, na casa de santo. Eram dois irmãos muito unidos, mas que não conseguiam conviver sob o mesmo teto. Vadinho era muito mulherengo e era dado a bater na companheira Neuza, que apanhava sem reagir. D. Lourdes, que não admitia covardia, na primeira vez que viu aquela cena, partiu para cima do irmão com panelas, vassoura e tudo que encontrava pelo caminho ensinando, assim, a mulher dele a reagir. Neuza aprendeu e dali pra frente não apanhou mais do Vadinho. Ele ficou com raiva da irmã a quem acusava de estar destruindo o seu lar. D. Lourdes decidiu sair da casa dele e convenceu a alguns moradores a ajudá-la a construir seu próprio barraco. Escolheu uma área acima do barraco de seu irmão e, depois de passar uma noite com os filhos acometidos de gripe asiática sob uma cabana improvisada, uns voluntários resolveram ajudá-la e passaram uma noite trabalhando, para colocar de pé uma moradia para aquela guerreira, a despeito de um tal de Justo, ter telefonado para a polícia, queixando-se, que haviam construído um barraco durante a noite, no caminho de sua casa. Pela manhã, quando os policiais chegaram e viram aquele barraco tosco, com uma mulher e quatro crianças doentes, passou uma espinafração no tal de Justo, que estava na janela de sua casa assistindo de camarote, pensando que iam colocar o barraco de D. Lourdes abaixo, como era de praxe a polícia fazer. Ele ficou na bronca porque havia passado uma cantada e ela deu-lhe um fora e aí, para se vingar, deu parte na polícia, alegando que o barraco estava impedindo o acesso a sua casa. Os policiais perguntaram-lhe se não tinha vergonha de estar bem instalado em sua casa e querendo que fosse derrubado um barraco que não impedia em nada a sua passagem.
Como D. Lourdes era uma mulata muito bonita, no auge de seus 37(trinta e sete) anos, as mulheres do morro começaram a ter ciúmes de seus maridos com ela. Uma vez, duas delas foram desafiá-la em sua porta, chamando-a de safada. Ela não conversou, partiu pra cima das duas mulheres e naquela hora, parecia que Exu de Ogum havia incorporado nela. Bateu muito numa das mulheres e só a largou, quando sentiu uma pancada muito forte na cabeça, dada pela outra mulher. Foi só o tempo de se recompor e partir pra dentro da outra, jogando-a ribanceira abaixo, quando todos puderam ver que estava sem calcinhas, apenas com um pano entre as pernas porque estava de Chico. Foi motivo de gozação pela vizinhança durante bastante tempo. As duas, com a cara quebrada foram para a delegacia dar parte da D. Lourdes, que, nessa altura, para sair do flagrante, foi para a sua casa de santo e, no dia seguinte foi à delegacia, onde havia um detetive que tinha uma queda por ela. Ele aliviou a situação dizendo que se elas queriam ser submetidas a corpo de delito, a D. Lourdes também o seria e elas seriam prejudicadas porque foram duas contra uma. Elas desistiram da queixa e quando ele deu o papel para que assinassem, nenhumas das duas sabia escrever o nome sequer. Receberam uma bronca e ele as aconselhou a que, em vez de ficarem arranjando briga com vizinhas, que ficassem em casa, com um lápis e papel, tentando aprender a escrever os seus nomes, que era bem melhor. Saíram cabisbaixas e nunca mais se meteram com a Baiana, como era chamada a D.Lourdes, lá em Vila Isabel, nos morros do Jardim, dos Macacos e do Pau-da-Bandeira. Era muito respeitada porque quando a polícia prendia algum morador que ela conhecia e sabia que era trabalhador, ela valia-se da queda do detetive por ela e não deixava levar o morador preso. Uma vez queriam levar um rapaz que era doente mental, porque estava sem documentos, foram avisá-la e ela desceu o morro numa velocidade incrível e não deixou levarem o rapaz que morava no Morro do Pau-da-Bandeira, mas que ela conhecia e sabia que ele era doente. Naquele dia, todos foram agradecer-lhe e ela virou liderança da redondeza. Quando seu filho mais velho completou dezoito anos, ela deu uma festa, com chope da Brahma e tudo. Contratou um regional composto por fugitivos das penitenciárias. Lá pelas tantas, a polícia chegou e queria levar todos presos, mas a Baiana intercedeu, pois conhecia a todos os policiais e pediu a eles que deixassem a festa rolar e voltassem pela manhã para levá-los. Quando clareou o dia, ela mandou que todos fossem embora e quando a polícia chegou para buscá-los ela disse que eles haviam fugido e que ela não tinha conseguido impedi-los.
Havia no Morro do Jardim, uma jovem mulher fugitiva da Penitenciária de Mulheres, chamada Georgina. D. Lourdes tinha pena por ser ela tão jovem, dizia ter 19 anos, e ter que viver se escondendo da polícia, por isso, quando ela estava fugindo, permitia que ficasse escondida embaixo da cama das crianças até a polícia ir-se embora. Nessa época, o filho mais velho de D.Lourdes estava servindo ao Exército e ela havia vendido aquele barraco construído no alto e com o dinheiro recebido, comprou material e construiu, junto com uns vizinhos e os filhos, um barraco de estuque, com um quarto para seu filho mais velho. Como havia vários rapazes na faixa etária dele, que eram seus amigos e também estavam servindo ao Exército, que ficavam elogiando sua farda sempre bem engomada e passada, ele pediu a D. Lourdes se ela não podia cuidar das fardas dos seus amigos, também. Ela aceitou a incumbência. Um deles era o Zé Preto, de quem a Georgina gostava. Um dia, ela tomou umas cachaças e foi querer tirar onda com a D.Lourdes dizendo: “Ô Baiana sabe que você é muito da safada?” D. Lourdes retrucou dizendo que safada era ela que estava cuspindo no prato que comeu. Ao que ela respondeu: “por falar nisso, faz um bife aí pra mim comer agora”. Não prestou. D.Lourdes partiu pra cima de Georgina e meteu a mão nos seus seios, para ver se ela estava com a navalha que costumava cortar a cara dos desafetos e, como não achou a arma, passou a bater na cara dela com tanta ira, que ela pediu socorro, ao pessoal que estava assistindo da porta da tendinha do Pernambuco que ficava em frente ao seu barraco. Do outro lado, lá do Morro do Pau-da-Bandeira, ouvia-se os gritos de “dá-lhe, Baiana!”. A metida a valentona Georgina, que botava até homem pra correr, ficou desmoralizada.
Depois que foi feita no santo é que D. Lourdes descobriu que tinha o dom da reza, quando pôs a mão sobre a cabeça de um menino que estava com muita dor de cabeça e que já havia tomado analgésicos e a dor não passava, repetiu umas palavras que ouvia sua avó dizer quando rezava dor de cabeça de alguém e a dor do menino passou como por milagre. Virou a Baiana rezadeira lá do morro.
Rezava espinhela caída, nervo torcido, cobreiro, mau olhado, quebranto, dor de dentes, dor de cabeça, dor de barriga, erisipela, etc. e acreditem, curava mesmo. Seu lema era: “Reza não se paga e nem se agradece” só assim é que funciona. Também sabia fazer umas simpatias para bronquites, para hemorróidas, para erisipela, sarampo, catapora, etc. Tudo herdado, oralmente, de seus ancestrais que, depois de feita no santo, soube fazer por intuição.
Tinha um dom de se concentrar olhando no copo virgem com água e dizer o que estava acontecendo com alguém que se encontrava distante dali.
Depois que Yá Natalina faleceu, andou em várias Casas, procurando retirar a Mão de Vu e atualizar suas obrigações, pois ainda não tinha feito a de sete anos. Encontrou muitos Pais-de-Santo que tiveram inveja de seus dons. Um deles, Tatalorixá Adauto, lá do Morro dos Macacos, a fez gastar o que tinha e o que não tinha e não fez obrigação nenhuma, era tudo de ekê (mentira) e só o que fez foi viciá-la em Persantim e outros comprimidos para tirar o sono e que gerava dependência. Foi uma luta para ela deixar de tomá-los.
Depois de alguns anos foi morar na Taquara, em Jacarepaguá, quando conheceu o Pai-de-santo Jorge de Iemanjá, que atualizou suas obrigações e tirou a Mão de Vu, mas tirou-lhe, também, aquela vidência com o copo d’água. Além disso, como era exímia passadeira, ele a explorava e mandava que engomasse e passasse todas as roupas das outras filhas de santo da casa. Certo dia, quando passava roupa, ela começou a passar mal e ele teve coragem de mandá-la para casa, sozinha. Foi quando ela sofreu seu primeiro derrame e, se sua filha não chegasse cedo do trabalho para socorrê-la, talvez ela não tivesse resistido tantos anos mais, pois isso foi em 1975.
Com o falecimento de Jorge de Iemanjá, a Baiana voltou a procurar uma Casa de Santo para desenvolver-se. Como ela foi raspada na nação Jêje, buscava uma casa que fosse da mesma raiz, para freqüentar. Encontrava muitas, que eram de Angola ou de Umbanda e não ficava porque não se sentia bem nelas. Um dia, conversando com sua filha caçula, expressou a vontade que tinha de fazer as obrigações de seu Pai Ogum, mas que estava encontrando dificuldades para achar o lugar certo. Todos os seus filhos tinham uma fé enorme nos seus Orixás, mas essa filha, era aquela que, quando Ogum estava em terra, ela traduzia o que ele falava porque ele só se expressava em Yorubá, que ela havia aprendido na casa de Yá Natalina e que chamava de “língua de Congo”. Ela era a Ekede de Ogum, informalmente, pois nunca fizera nenhuma obrigação para isso. Conversava com ele, quando incorporado em sua mãe ou não. Numa dessas ocasiões, dirigiu-se à quartinha de Ogum e disse: “meu avô, me indique um caminho, para eu encontrar uma casa de sua raiz, para minha mãe poder atualizar suas obrigações”. Passado algum tempo, mudaram-se para a Rua Maria José, em Madureira, e, naquela rua, havia um terreiro de Candomblé. Baiana foi num dia de toque e voltou dizendo que lá era “misturado” e que não havia gostado, mas acontece que conheceu um rapaz, de Oxossi, chamado Lúcio, que por não ter nenhum parente consangüíneo, passou a adotar D. Lourdes e seus filhos como sua família. Um dia ela falou pra ele da sua busca por um terreiro de sua raiz. Ele disse que conhecia um Pai-de-Santo, cuja nação era Jêje, e que se chamava João d’Oxossi, na casa de quem ele dava obrigações para o seu Orixá, pois Lúcio também era de Oxossi. Combinaram o dia e Lúcio a levou à casa de João. Ao chegar lá, D. Lourdes só lhe disse que fora lá, para que ele abrisse o jogo de búzios para ela, e, quando João jogou os búzios, viu que Ogum queria que ele atualizasse suas obrigações. Porque João era da mesma raiz, vindo a ser sobrinho de santo de D. Lourdes. Ogum havia encontrado a casa onde queria ficar. Foram feitas as obrigações e era engraçado ver aquela senhora chamando de pai a um jovem de vinte e poucos anos, naquela época.
Ultimamente, devido as suas limitações, por causa das artroses generalizadas nos joelhos e na coluna, já não atuava em todo o seu potencial. Rezas que precisassem suspender as pessoas ou levantá-las nas costas, ela não tinha mais condições físicas de realizar, em compensação, sua reza conseguia fazer efeito à distância. Constantemente sua filha abaixo do mais velho, telefonava de Vila Kennedy, onde mora, e pedia a ela para rezá-la ou aos bisnetos e depois ligava novamente para dizer que o mal que os acometia desaparecera depois da reza.
Além de rezar, também levava para casa, crianças abandonadas que encontrava pela rua. Criou muitos filhos dos outros. Dizia sempre que se fosse uma pessoa de posses levaria para sua casa todas as crianças que encontrasse nas ruas. Quando morou em Vila Isabel, no Morro do Jardim, lá pelos anos 60, transformou seu barraco em creche, onde cuidava dos filhos das mães solteiras que iam trabalhar e não tinham com quem deixar os filhos e, quando essas mulheres ficavam desempregadas, iam trabalhar na creche até arranjar outro trabalho porque lá, comiam e alimentavam os filhos. Também transformou o barraco em pensão, pois excelente cozinheira que era, começou fornecendo marmitas para os trabalhadores da oficina mecânica, na Rua Visconde de Santa Isabel, onde seu filho mais velho foi aprender a profissão de lanterneiro, com 11 (onze) anos de idade. Depois, os trabalhadores todos os dias subiam o Morro do Jardim, de macacão sujo de graxa, para ir comer a comida gostosa que a Baiana fazia. Pagavam-lhe no sábado, quando recebiam.
Quando chegou em casa chorando, sua filha do meio, que passara no concurso de admissão para o Colégio Estadual Visconde de Cairu, dizendo que telefonara para o pai e que ele dissera não poder lhe dar porque não tinha, os cinco cruzeiros para fazer a matrícula, D. Lourdes não pensou duas vezes, arrancou o botijão de gás do fogão e foi na tendinha de Pernambuco, pedindo-lhe que empenhasse aquele botijão, porque ela precisava do dinheiro para pagar a matrícula de sua filha e assim, a menina não perdeu sua vaga. Ela ficou cozinhando no fogão a querosene, famoso fogão Jacaré, até quando pôde pagar e resgatar o botijão, que empenhara com o Pernambuco.
D. Lourdes foi uma grande guerreira, que, após ter sido abandonada pelo marido, em 1956, jamais seguiu os conselhos de vizinhos e amigos que a mandavam deixar os filhos em colégio interno. Trabalhou, lutou e conseguiu dar educação a todos eles.
Faleceu lúcida aos 87 anos, 09 meses e 17 dias, em 28 de dezembro de 2006.
Por Avanir Carvalho Pontes
Filha de Maria de Lourdes Carvalho Pontes
domingo, 8 de março de 2009
Mulher Negra Rezadeira
MULHER NEGRA REZADEIRA
D. Lourdes veio para o Rio de Janeiro em 1944, em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira), durante a 2ª Guerra Mundial, atrás do companheiro de quem tinha parido o primeiro filho.
Trabalhou em casa de família, fábricas, cervejaria, lavanderia, lanchonete, bar, enfim, só em serviços pesados, devido a sua falta de instrução.
Teve mais 5 (cinco) filhos, dos quais 2 (dois) faleceram ainda muito pequenos. Criou os 4 (quatro), sempre preocupada que pudessem estudar para não passarem pelo que ela passou na vida. Uma vez, diante de sua filha nascida antes do caçula, ajoelhou-se e jurou que se dependesse dela, jamais suas filhas seriam empregadas domésticas. Não queria que elas sofressem nem um terço do que ela passou, desde a sua infância muito pobre, tendo que ajudar na roça para colher o sustento para si, sua avó, seu pai e seu irmão caçula. Perdeu sua mãe muito cedo em um acidente em que foi vítima da irresponsabilidade de pessoas que roubavam fiação de uma padaria, localizada na frente de onde morava. Deixaram um fio desencapado encostado no arame que servia de varal e quando sua mãe estendeu um lençol molhado, recebeu uma carga elétrica tão forte que a matou. D. Lourdes, nesta ocasião, com mais ou menos uns quatro anos de idade, só teve tempo de segurar seu irmão caçula que engatinhando, dirigia-se ao corpo de sua mãe estendido no chão e totalmente carbonizado. Com o falecimento de sua genitora, passaram a ser criados pela avó, porque o pai era um “nego fulo”, descendente de negros nascidos na vigência da lei do Ventre Livre e que não era muito afeto a trabalho. De vez em quando chegava a notícia de que fora preso por vadiagem. Quando a mulher era viva era ela quem ia tirá-lo da cadeia.
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Herdou da avó, que a criou, o dom da reza. De tanto vê-la rezando crianças e adultos que a procuravam com diversas queixas e essas pessoas se livrarem do mal que as acometia, foi observando o que a avó falava e fazia para dar alívio a todos que a procuravam. Exercitando a oralidade, começou brincando de rezar seu único irmão, mais novo quatro anos do que ela. Depois que teve seus filhos os rezava e os medicava com chá de ervas. O conhecimento sobre as ervas foi adquirido na época em que ajudava a avó no plantio, na roça, e nessas ocasiões a avó ia dizendo-lhe o nome das ervas e o que elas curavam.
Quando D.Lourdes veio da Bahia, foi morar com seu companheiro, nas casas de cômodos, que formavam um cortiço na Rua Camerino, nº 20, onde nasceu sua primeira filha, no Rio de Janeiro, na Pró-Matre, na Pça Mauá, no dia em que chegaram de navio, os últimos soldados da 2ª guerra, vindos da Itália, em 18/05/1945. Mais ou menos uns dois anos depois, mudou-se para uma vila de casas simples, na Rua Getúlio,42, no bairro Méier, tanto que batizou todos os filhos, desde o mais velho que nascera na Bahia, até os que nasceram quando morava lá, na Igreja do Sagrado Coração de Maria, ali naquele bairro. Morou naquele lugar durante alguns anos, depois se mudaram para uma casa em Vila Rosaly em S.J.Meriti. Como seu companheiro era o mais velho de dezoito irmãos, sua casa ficou sendo referência para todos os amigos e parentes que vinham da Bahia. Ele era alfaiate, desenvolvia seu ofício na Cinelândia, exatamente na Praça Marechal Floriano19, no 4º andar do antigo Edifício Império, onde alugava uma sala. Todos conheciam o Pontes, alfaiate. Costurava batinas para os padres do Mosteiro de Santo Antonio e para os artistas negros, da época: Jamelão, Blackout, Zé Kéti, Grande Otelo e muitos outros. Também era quem fazia os costumes da cantora Araci de Almeida, além de ter feito muitas fantasias para os componentes da escola de samba Mangueira, a pedido de seu irmão Alberto, que era diretor de Harmonia.
Dia 08 de março de 2009.
Comemorei o Dia Internacional das Mulheres indo ao cinema com minhas filhas e o namorado de uma delas no Shopping Center de São Gonçalo. Assistimos ao filme "Se eu fosse você 2". Foi ótimo. Dei muitas risadas e me diverti muito. Após o filme, como é de praxe, fizemos um lanche na Praça de Alimentação. Comi um sanduíche de atum, do BOB's que estava uma delícia com fritas e bebi um Mate metido a besta.
Na volta para casa esperamos um bom tempo pela Van que resolveu demorar mais que o normal até que um motorista de um outro itinerário, vendo a fila para a Van para o Engenho Pequeno crescendo muito, resolveu nos levar e chgamos em casa, sãs e salvas.
Este ano não fui à Marcha das Mulheres, nem a nehuma comemoração feita por órgãos governamentais, inclusive, na quinta-feira, o deputado Picciani (PMDB), presidente da ALERJ,junto com a deputada Inês Pandeló (PT) fêz uma homenagem às mulheres, mas quando lá cheguei já havia terminado. Então fui com Mariléa, presidente da AFIASERJ, Elizabeth, diretora da AFIASERJ e Maria da Glória, presidente da AFHEAN ao gabinete do deputado Paulo Ramos mas como não o encontramos, batemos um papo com o Renan, seu chefe de gabinete a quem Mariléa contou como foi a cobrança que elas fizeram sobre a Maternidade do IASERJ que se encontra fechada desde que Sergio Cabral assumiu e nomeou o Sergio Côrtes para Secretário de Saúde, que por sua vez nomeou o Dr. Moll como responsável pela presidência do IASERJ e desde então começou a destruição física do IASERJ.
Consideramos uma grande violência a desativação da maternidade, do centro cirúrgico, da pediatria, do laboratório de Raio X, do BTI Infantil e de todos os serviços que o IASERJ prestava aos seus segurados, nós os servidores públicos estaduais.
A nossa luta não tem sido fácil mas já conseguimos colher alguns frutos dela, como por exemplo, a reestruturação da Emergência que agora chamam de SPA (Serviço de Pronto Atendimento), a aquisição de um Tomógrafo e de um Mamógrafo, a criação do PROMUSA que presta atendimento ambulatorial à mulher, com diversas especialidades clinicando, embora somente os exames Papa Nicolau, sangue, fezes e urina estejam sendo feitos no IASERJ, mas já é um avanço porque tudo estava desativado.
A farmácia também vem sendo regularmente abastecida com os medicamentos mais receitados pelos médicos.
O Pavilhão clínico teve alguns leitos restabelecidos para internações, inclusive até porque instalaram nas dependência do IASERJ, uma parte do Hospital São Sebastião, especialista em doenças infecciosas. Também foi transferida para lá a Central de Regulação de Leitos, a Farmácia Judicial( aquela que fornece medicamentos àquelas pessoas que entram com ação na justiça) e a Central de Ostomizados, onde são fornecidas as bolsas para colostomia. A luta é árdua mas estamos avançando a despeito de ser apenas um pequeno grupo de lutadores liderado pela incansável Mariléa que carrega essa luta. Esta mulher merece todas as felicitações neste dia.
Na volta para casa esperamos um bom tempo pela Van que resolveu demorar mais que o normal até que um motorista de um outro itinerário, vendo a fila para a Van para o Engenho Pequeno crescendo muito, resolveu nos levar e chgamos em casa, sãs e salvas.
Este ano não fui à Marcha das Mulheres, nem a nehuma comemoração feita por órgãos governamentais, inclusive, na quinta-feira, o deputado Picciani (PMDB), presidente da ALERJ,junto com a deputada Inês Pandeló (PT) fêz uma homenagem às mulheres, mas quando lá cheguei já havia terminado. Então fui com Mariléa, presidente da AFIASERJ, Elizabeth, diretora da AFIASERJ e Maria da Glória, presidente da AFHEAN ao gabinete do deputado Paulo Ramos mas como não o encontramos, batemos um papo com o Renan, seu chefe de gabinete a quem Mariléa contou como foi a cobrança que elas fizeram sobre a Maternidade do IASERJ que se encontra fechada desde que Sergio Cabral assumiu e nomeou o Sergio Côrtes para Secretário de Saúde, que por sua vez nomeou o Dr. Moll como responsável pela presidência do IASERJ e desde então começou a destruição física do IASERJ.
Consideramos uma grande violência a desativação da maternidade, do centro cirúrgico, da pediatria, do laboratório de Raio X, do BTI Infantil e de todos os serviços que o IASERJ prestava aos seus segurados, nós os servidores públicos estaduais.
A nossa luta não tem sido fácil mas já conseguimos colher alguns frutos dela, como por exemplo, a reestruturação da Emergência que agora chamam de SPA (Serviço de Pronto Atendimento), a aquisição de um Tomógrafo e de um Mamógrafo, a criação do PROMUSA que presta atendimento ambulatorial à mulher, com diversas especialidades clinicando, embora somente os exames Papa Nicolau, sangue, fezes e urina estejam sendo feitos no IASERJ, mas já é um avanço porque tudo estava desativado.
A farmácia também vem sendo regularmente abastecida com os medicamentos mais receitados pelos médicos.
O Pavilhão clínico teve alguns leitos restabelecidos para internações, inclusive até porque instalaram nas dependência do IASERJ, uma parte do Hospital São Sebastião, especialista em doenças infecciosas. Também foi transferida para lá a Central de Regulação de Leitos, a Farmácia Judicial( aquela que fornece medicamentos àquelas pessoas que entram com ação na justiça) e a Central de Ostomizados, onde são fornecidas as bolsas para colostomia. A luta é árdua mas estamos avançando a despeito de ser apenas um pequeno grupo de lutadores liderado pela incansável Mariléa que carrega essa luta. Esta mulher merece todas as felicitações neste dia.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Minhas Férias na Bahia
Em 15 de janeiro de 2009, no vôo das 16:10h, da TAM, partimos eu(Avanir), minha filha mais velha, Bianca e meu filho caçula, Pedro, para Salvador, onde fomos passar dezoito dias de férias bem merecidas porque 2008 foi um ano de muita luta e trabalho.
Transcorreu tudo bem durante a viagem, apenas Bianca ficou muito nervosa por ser a primeira vez que viajava de avião.
Em no aeroporto, em Salvador, aguardamos por tia Zilda, irmã de meu falecido pai, em cuja casa ficaríamos hospedados. Ela demorou a chegar porque o trânsito estava muito conturbado devido aos festejos da "Festa da Lavagem das Escadarias da Igreja do Bonfim". Enquanto minha tia não chegava fizemos um lanche em uma lanchonete ali mesmo. Eu tomei um café expresso e comi um folhado de frango muito gostoso. Bianca tomou um café com creme e Pedro pediu um tipo de milksheik de chocolate e comeu também um folhado de frango. Depois ficamos andando pelas dependências procurando caixa eletrônica do ITAÚ e depois de muita espera, a tia Zilda apareceu.
Estávamos cada um com uma mala de viagem sendo que maior era a minha e fomos ver por quanto um táxi saindo do aeroporto até o bairro Castelo Branco, onde tia Zilda morava, nos custaria. O motorista, após consultar uma tabela nos disse que seriam necessários setenta e dois reais, o que achamos um absurdo e fomos mais adiante ver com aqueles motoristas alternativos o valor da corrida. Ela baixou para cinquenta reais e mesmo assim achamos muito caro. De repente vimos um ônibus que ia para o nosso destino cuja passagem era dois reais e vinte centavos, o mesmo valor da passagem padrão do Rio de Janeiro e foi nele que embarcamos sem mais delongas.
No dia seguinte acordamos cedo e fomos passear na praia de Itapuã, onde passamos a manhã toda e à tarde fomos ao Mercado Modelo onde ficamos maravilhados com tanta coisa bonita e relativamente cara.
Em cada esquina da Cidade Alta e até mesmo da Cidade Baixa, encontrávamos uma baiana vendendo acarajés e outras iguarias. Nos primeiros dias comi tanto acarajé que até enjoei. Lá você encontra frequentemente acarajé pelo preço de um real. Na rua em que minha tia mora, todas as noites duas moças montavam uma barraca onde fritavam na hora e vendiam as iguarias por um real e havia também um bar que vendia uns enormes de "ITU", por dois reais, recheados de vatapá, caruru, salada de legumes e camarões enormes, uma delícia.
Na praia de Itapuã experimentei o caldo de sururu, uma especialidade das praias de lá, feito com um tipo de marisco pequeno e saboroso.
Fomos à Festa da Ribeira mas infelizmente já chegamos no final, na parte da tarde e só tiramos fotos, inclusive do maravilhoso por-do-sol de lá. Depois caminhamos da Ribeira até à Igreja do Bonfim onde assistimos à novena em preparação para a festa de N. Sra. dos Navegantes.
Fomos também em Ondina, visitar meu tio Alberto que se acha muito doente, com enormes feridas em ambas as pernas. Fiquei muito triste de vê-lo tão magro e dependente de sua mulher, que por sinal é minha xará. Ficava lembrando do tempo em que ele ia lá no meu trabalho onde tinha uma namorada, a Glória Regina, filha dos falecidos Cartola e D. Zica da Mangueira. Tio Bertinho (Alberto) fora Diretor de Harmonia daquela agremiação.
Voltamos à casa de tia Avani, num dia à tarde, quando Bianca tirou diversas fotos minha e de Pedro, na praia de Ondina ao entardecer.
Passeamos muito. Fomos novamente ao Mercado Modelo e subimos no Elevador Lacerda para a Cidade Alta, onde fomos tirar fotos na Praça Castro Alves. Neste dia, descemos e fomos encontrar Michele, colega de Bianca que também fora para Salvador, para a casa de seus avós. O Mercado Modelo já estava fechando e demos umas voltas, comprei uma família de elefantes de uma pedra verde mostarda para colocar na minha estante, comprei também, enfeites para geladeiras, com motivos da Bahia e muitas fitinhas de Senhor do Bonfim.
No domingo, como estávamos com as passagens compradas previamente para voltarmos para o Rio de Janeiro, fomos visitar tio Bertinho novamente para nos despedirmos dele, de tia Avani e do restante da parentada. Tínhamos ficado de ir cedo para irmos à praia e almoçarmos lá, porém telefonei para minha prima Jacira, filha de meu tio Florisvaldo(Vadinho) que mora no Rio, na Cidade de Deus, e ela veio com o filho almoçar conosco em casa de minha tia Zilda que ,naquele dia, havia feito um cozido e isso nos atrasou muito. Só conseguimos chegar em Ondina já quase seis horas da noite. Fomos até o Rio Vermelho que fica perto da casa deles e é onde se prepara o presente para Iemanjá, que se coloca no mar, no dia dois de fevereiro, dia de N. Sª dos Navegantes. Foi interessantíssimo assistir aos preparativos. Pudemos participar do ritual em que pessoas do Candomblé entoam cânticos para os orixás o que se constitui na abertura dos festejos. Fotografei o guardião das oferendas para Iemanjá que era um pescador que se sentia na obrigação de fazer aquilo sem ninguém ter-lhe dado aquela tarefa, fotografei a todos nós juntos à estátua de uma enorme sereia que simbolizava Iemanjá e ficamos por lá até às duas horas da manhã. Depois fomos dormir porque tínhamos combinado com meu primo Alexandre de nos levar ao aeroporto às quatro e meia da manhã. Pedro estava tão ansioso que não deitou, ficou no laptop até a hora de sairmos, eu e Bianca tiramos um cochilo até às quatro. Quando o Alexandre chegou às quatro e meia, pontualmente, foi só pegarmos as malas e levarmos para o carro dele. Tia Avani foi com ele nos levar até o aeroporto de Salvador e de lá retornamos sem nenhum problema, graças a Deus.
Eu pretendia ir participar da entrega do presente de Iemanjá, aqui, no Rio, mas pegamos um engarrafamento na Av. Brasil que só consegui chegar em casa ao meio dia e meia e aí nem voltei mais porque o presente já devia ter sido entregue na Praça XV, pois estava marcada a saída do cortejo da Cinelândia às onze horas.
Transcorreu tudo bem durante a viagem, apenas Bianca ficou muito nervosa por ser a primeira vez que viajava de avião.
Em no aeroporto, em Salvador, aguardamos por tia Zilda, irmã de meu falecido pai, em cuja casa ficaríamos hospedados. Ela demorou a chegar porque o trânsito estava muito conturbado devido aos festejos da "Festa da Lavagem das Escadarias da Igreja do Bonfim". Enquanto minha tia não chegava fizemos um lanche em uma lanchonete ali mesmo. Eu tomei um café expresso e comi um folhado de frango muito gostoso. Bianca tomou um café com creme e Pedro pediu um tipo de milksheik de chocolate e comeu também um folhado de frango. Depois ficamos andando pelas dependências procurando caixa eletrônica do ITAÚ e depois de muita espera, a tia Zilda apareceu.
Estávamos cada um com uma mala de viagem sendo que maior era a minha e fomos ver por quanto um táxi saindo do aeroporto até o bairro Castelo Branco, onde tia Zilda morava, nos custaria. O motorista, após consultar uma tabela nos disse que seriam necessários setenta e dois reais, o que achamos um absurdo e fomos mais adiante ver com aqueles motoristas alternativos o valor da corrida. Ela baixou para cinquenta reais e mesmo assim achamos muito caro. De repente vimos um ônibus que ia para o nosso destino cuja passagem era dois reais e vinte centavos, o mesmo valor da passagem padrão do Rio de Janeiro e foi nele que embarcamos sem mais delongas.
No dia seguinte acordamos cedo e fomos passear na praia de Itapuã, onde passamos a manhã toda e à tarde fomos ao Mercado Modelo onde ficamos maravilhados com tanta coisa bonita e relativamente cara.
Em cada esquina da Cidade Alta e até mesmo da Cidade Baixa, encontrávamos uma baiana vendendo acarajés e outras iguarias. Nos primeiros dias comi tanto acarajé que até enjoei. Lá você encontra frequentemente acarajé pelo preço de um real. Na rua em que minha tia mora, todas as noites duas moças montavam uma barraca onde fritavam na hora e vendiam as iguarias por um real e havia também um bar que vendia uns enormes de "ITU", por dois reais, recheados de vatapá, caruru, salada de legumes e camarões enormes, uma delícia.
Na praia de Itapuã experimentei o caldo de sururu, uma especialidade das praias de lá, feito com um tipo de marisco pequeno e saboroso.
Fomos à Festa da Ribeira mas infelizmente já chegamos no final, na parte da tarde e só tiramos fotos, inclusive do maravilhoso por-do-sol de lá. Depois caminhamos da Ribeira até à Igreja do Bonfim onde assistimos à novena em preparação para a festa de N. Sra. dos Navegantes.
Fomos também em Ondina, visitar meu tio Alberto que se acha muito doente, com enormes feridas em ambas as pernas. Fiquei muito triste de vê-lo tão magro e dependente de sua mulher, que por sinal é minha xará. Ficava lembrando do tempo em que ele ia lá no meu trabalho onde tinha uma namorada, a Glória Regina, filha dos falecidos Cartola e D. Zica da Mangueira. Tio Bertinho (Alberto) fora Diretor de Harmonia daquela agremiação.
Voltamos à casa de tia Avani, num dia à tarde, quando Bianca tirou diversas fotos minha e de Pedro, na praia de Ondina ao entardecer.
Passeamos muito. Fomos novamente ao Mercado Modelo e subimos no Elevador Lacerda para a Cidade Alta, onde fomos tirar fotos na Praça Castro Alves. Neste dia, descemos e fomos encontrar Michele, colega de Bianca que também fora para Salvador, para a casa de seus avós. O Mercado Modelo já estava fechando e demos umas voltas, comprei uma família de elefantes de uma pedra verde mostarda para colocar na minha estante, comprei também, enfeites para geladeiras, com motivos da Bahia e muitas fitinhas de Senhor do Bonfim.
No domingo, como estávamos com as passagens compradas previamente para voltarmos para o Rio de Janeiro, fomos visitar tio Bertinho novamente para nos despedirmos dele, de tia Avani e do restante da parentada. Tínhamos ficado de ir cedo para irmos à praia e almoçarmos lá, porém telefonei para minha prima Jacira, filha de meu tio Florisvaldo(Vadinho) que mora no Rio, na Cidade de Deus, e ela veio com o filho almoçar conosco em casa de minha tia Zilda que ,naquele dia, havia feito um cozido e isso nos atrasou muito. Só conseguimos chegar em Ondina já quase seis horas da noite. Fomos até o Rio Vermelho que fica perto da casa deles e é onde se prepara o presente para Iemanjá, que se coloca no mar, no dia dois de fevereiro, dia de N. Sª dos Navegantes. Foi interessantíssimo assistir aos preparativos. Pudemos participar do ritual em que pessoas do Candomblé entoam cânticos para os orixás o que se constitui na abertura dos festejos. Fotografei o guardião das oferendas para Iemanjá que era um pescador que se sentia na obrigação de fazer aquilo sem ninguém ter-lhe dado aquela tarefa, fotografei a todos nós juntos à estátua de uma enorme sereia que simbolizava Iemanjá e ficamos por lá até às duas horas da manhã. Depois fomos dormir porque tínhamos combinado com meu primo Alexandre de nos levar ao aeroporto às quatro e meia da manhã. Pedro estava tão ansioso que não deitou, ficou no laptop até a hora de sairmos, eu e Bianca tiramos um cochilo até às quatro. Quando o Alexandre chegou às quatro e meia, pontualmente, foi só pegarmos as malas e levarmos para o carro dele. Tia Avani foi com ele nos levar até o aeroporto de Salvador e de lá retornamos sem nenhum problema, graças a Deus.
Eu pretendia ir participar da entrega do presente de Iemanjá, aqui, no Rio, mas pegamos um engarrafamento na Av. Brasil que só consegui chegar em casa ao meio dia e meia e aí nem voltei mais porque o presente já devia ter sido entregue na Praça XV, pois estava marcada a saída do cortejo da Cinelândia às onze horas.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
O governador Sergio Cabral enviou para a ALERJ o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) Nº3, cujo conteúdo versa sobre eliminar o Regime Jurídico Único do Estado, abrindo as portas às novas contratações sem concurso público, fazendo acontecerem os "trens da alegria"e trazendo como consequência a descapitalização do RIOPREVIDÊNCIA porque os descontos para a previdência serão para o INSS, uma vez que esses novos trabalhadores não serão servidores públicos estatutários.
Fiz uma convocação para que todos compareçam ao plenário da ALERJ, nesta 4ª feira, dia 10/12/08 às 16 horas porque talvez assim consigamos sensibilizar os deputados para não aprovarem essa barbaridade que se constitui em mais um remendo na nossa Constituição.
Fiz uma convocação para que todos compareçam ao plenário da ALERJ, nesta 4ª feira, dia 10/12/08 às 16 horas porque talvez assim consigamos sensibilizar os deputados para não aprovarem essa barbaridade que se constitui em mais um remendo na nossa Constituição.
O que será que esse Goovernador pensa da vida?
O governador Sergio Cabral enviou para a ALERJ um Projeto de Emenda Constitucional (PEC Nº 3), cujo conteúdo simplesmente detonava o Regime Jurídico Único do servidor, porque acabava com a obrigatoriedade de concursos para ingresso no serviço público estadual. Além disso, prejudicaria os servidores inativos e pensionistas porque os novos contratos seriam pelo regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), determinando que os descontos para a previdência seriam para o INSS e, com isso, o RIOPREVIDÊNCIA iria se descapitalizando até chegar ao ponto do ex-IPERJ, quando a sua receita de contribuições não cobria as despesas com as pensões, as aposentadorias de seus próprios servidores e o pagamento dos direitos elencados na sua lei orgânica, a famosa e extinta Lei Nº 285 de 03 de dezembro de 1979. Graças a Deus conseguimos sensibilizar as lideranças dos servidores estaduais que os convocaram e tendo enchido as galerias da ALERJ, impediram que o tal PEC Nº 3 fosse votado. Retiraram-no da pauta reconhecendo a sua inconstitucionalidade haja vista que na Constituição Federal de 05/10/88, o Regime Jurídico Único continua a vigorar, portanto nenhum Estado pode modificar esse preceito ao seu bel prazer, só se acontecer primeiro na esfera federal. Acreditamos que mais dia menos dia isso vá acontecer porque em 2010 terminam as gestões dos governos federal e estaduais e como irão acomodar seus correligionários, os deixarão no desemprego? Muita gente que conheço está muito preocupada com essa possibilidade porque só conseguiu trabalhar depois que LULA foi eleito, por isso acho que essa modificação na CF tem grande possibilidade de acontecer. Quanto ao Estado vislumbro a mesma coisa e cito por exemplo o pessoal extra-quadros do RIOPREVIDÊNCIA, pois naquele Projeto há um artigo, que chamamos de "bacalhau", que possibilita aquele servidor que está há mais de cinco anos à disposição de determinado órgão, passar a fazer parte de seu Quadro de Pessoal, automaticamente, sem prestar concurso público.
O governador Sergio Cabral enviou para a ALERJ um Projeto de Emenda Constitucional (PEC Nº 3), cujo conteúdo simplesmente detonava o Regime Jurídico Único do servidor, porque acabava com a obrigatoriedade de concursos para ingresso no serviço público estadual. Além disso, prejudicaria os servidores inativos e pensionistas porque os novos contratos seriam pelo regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), determinando que os descontos para a previdência seriam para o INSS e, com isso, o RIOPREVIDÊNCIA iria se descapitalizando até chegar ao ponto do ex-IPERJ, quando a sua receita de contribuições não cobria as despesas com as pensões, as aposentadorias de seus próprios servidores e o pagamento dos direitos elencados na sua lei orgânica, a famosa e extinta Lei Nº 285 de 03 de dezembro de 1979. Graças a Deus conseguimos sensibilizar as lideranças dos servidores estaduais que os convocaram e tendo enchido as galerias da ALERJ, impediram que o tal PEC Nº 3 fosse votado. Retiraram-no da pauta reconhecendo a sua inconstitucionalidade haja vista que na Constituição Federal de 05/10/88, o Regime Jurídico Único continua a vigorar, portanto nenhum Estado pode modificar esse preceito ao seu bel prazer, só se acontecer primeiro na esfera federal. Acreditamos que mais dia menos dia isso vá acontecer porque em 2010 terminam as gestões dos governos federal e estaduais e como irão acomodar seus correligionários, os deixarão no desemprego? Muita gente que conheço está muito preocupada com essa possibilidade porque só conseguiu trabalhar depois que LULA foi eleito, por isso acho que essa modificação na CF tem grande possibilidade de acontecer. Quanto ao Estado vislumbro a mesma coisa e cito por exemplo o pessoal extra-quadros do RIOPREVIDÊNCIA, pois naquele Projeto há um artigo, que chamamos de "bacalhau", que possibilita aquele servidor que está há mais de cinco anos à disposição de determinado órgão, passar a fazer parte de seu Quadro de Pessoal, automaticamente, sem prestar concurso público.
domingo, 23 de novembro de 2008
Políticos Mentem
Os servidores do ex-IPERJ acreditaram na ocasião da extinção da Instituição secular de previdência do Estado do Rio de Janeiro, através da lei 5.109 de 15/10/07, nas promessas dos políticos do PMDB, principalmente na palavra do deputado Paulo Melo que afirmava que nenhum servidor seria posto à disposição de outros órgãos e que, caso o novo RIOPREVIDÊNCIA não absorvesse a todos de imediato, os excedentes iriam para casa, sem nenhum prejuízo ou corte em sua remuneração, até que fossem tomadas as decisões para acomodação de todos os ativos, que na ocasião éramos em número de 429 (quatrocentos e vinte e nove) servidores. Também nos foi garantido que após a "fusão" das duas autarquias, seria enviada para a ALERJ, a Mensagem contendo o Plano de Cargos Carreiras e Vencimentos do novo RIOPREVIDÊNCIA. De lá para cá, já transcorreram 13 (treze) meses, ou seja um ano, um mês e sete dias e o resultado de toda essa manobra foi a "extinção" do IPERJ, prevalecendo o RIOPREVIDÊNCIA como único órgão previdenciário desse estado. Até hoje não foi enviada a Mensagem sobre o PCCV para a ALERJ e vários servidores ativos, estatutários estão sendo colocados à disposição de outros órgãos estaduais, o que nos causa estranheza porque para ocupar vaga deixada por muitos desses servidores, estão trazendo pessoas como extra-quadros para exercerem os cargos de confiança, ganhando comissões fabulosas, em relação às parcas funções gratificadas destinadas aos servidores inativos mantidos como extra-quadros. Adotam a estratégia de publicar vagas para coordenadores de áreas estratégicas apenas para não dizer que não deram oportunidade aos servidores estatutários, porque exigem Pós Graduação, MBA's, cursos que raramente um servidor estadual tem condições de fazer porque devido a sua parca remuneração e também geralmente trabalha em outro lugar, fora do horário do expediente.
Foi-nos prometida a implantação do Plano de Cargos, em 2008 e isso não aconteceu. Também em 2009 isso está perigando porque não há nada incluso para isso, na proposta orçamentária enviada à ALERJ para ser votada agora, em novembro. Os servidores já ouviram boatos de que o PCCV só será implantado em 2010 e isso é desesperador porque para quem tem vivido,nos últimos quatorze anos, sob a égide de gratificações e abonos concedidos com o fito de excluir aposentados e pensionistas, para não impactar demais a folha de pagamento do estado, isso é um mau sinal. Este governo estadual termina justamente em 2010 e são bem capazes de enviar o Projeto de Lei para a ALERJ nos últimos dias desta gestão e aí, dependendo de quem será o novo governador do Estado, teremos que começar da estaca zero, mormente se o eleito for de Partido que faz oposição ao atual governador. Esta história já conhecemos de cor e salteado.
O que dá nos nervos da gente é a inércia dos servidores que estão lotados no RIOPREVIDÊNCIA porque por terem recebido uma gratificação muito maior que o vencimento de seus cargos, estão se submetendo a toda sorte de humilhação, nepotismo, exacerbação de autoridade, enfim, de assédio moral e não reagem. É impressionante a submissão, o medo estampado nas suas faces, mas não reagem, parecem entorpecidos, anestesiados, inertes, acovardados mediante a possibilidade de serem excluídos da concessão da maldita gratificação que nem sequer incide sobre os triênios e existem dúvidas se a levarão para a aposentadoria.
Nós, da Comissão de Mobilização e Articulação Política do SINDIPERJ temos feito incursões junto ao deputado Nelson Gonçalves, que é Presidente da Comissão de Servidores e faz parte do PMDB visando a negociação para que o PCCV seja implantado em 2009 e para isso faz-se necessário que ele ou algum deputado do PMDB ou de partido aliado ao governo, apresente uma emenda ao Orçamento do Estado, incluindo o PCCV do RIOPREVIDÊNCIA. Esta tem sido a nossa luta atualmente.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Saber Viver
Saber viver é sorrir
Saber viver é cantar
Saber viver é não partir
Pra saudades não deixar
Porque ela dói e destrói
Tudo de belo que há
Apaga a vida e o amor
E só nos traz dissabor
Por isso viva sorrindo
E siga sempre cantando
Não pense nunca em se ir
porque se for não voltará
E a saudade vai ficar
a ruminar dentro de mim
Uma tristeza sem fim(AVANIR)
Saber viver é cantar
Saber viver é não partir
Pra saudades não deixar
Porque ela dói e destrói
Tudo de belo que há
Apaga a vida e o amor
E só nos traz dissabor
Por isso viva sorrindo
E siga sempre cantando
Não pense nunca em se ir
porque se for não voltará
E a saudade vai ficar
a ruminar dentro de mim
Uma tristeza sem fim(AVANIR)
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